Mês: janeiro 2017

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Nos últimos anos, o Paraguai se tornou o paraíso dos bandidos brasileiros, especialmente as facções do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e do Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro. Um dos esteios dessa situação é a maneira passional com que o Brasil e o Paraguai tratam das questões dos migrantes brasileiros, que somam mais de um milhão vivendo no Paraguai _ país de 6 milhões de habitantes que fala dois idiomas, o espanhol e o guarani.
Na época de eleições no Paraguai, o problema dos migrantes vem à tona. Em 2008, no departamento (estado) de San Pedro, uma bandeira brasileira foi queimada em praça pública. Nos mais de 300 acampamentos de campesinos, como são conhecidos os sem terras por lá, havia faixas com os dizeres “Fuera Brasileiros” por todos os cantos. Os campesinos esperavam que fosse cumprida a promessa feita por políticos, de que eles receberiam as terras dos brasiguaios _ agricultores brasileiros que migram para lá. Não receberam. Houve conflito com os brasiguaios, e tiros foram disparados pelos dois lados.
Dois anos depois, em 2010, o senador paraguaio Robert Acevedo atacou os interesses do PCC e do CV em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada por uma avenida de Ponta Porã, no oeste do Mato Grosso do Sul. O senador foi tocaiado e alvejado com mais de 40 tiros. Escapou com ferimentos. Mas seus dois seguranças foram mortos. Na ocasião, os então presidentes Lula, do Brasil, e bispo Fernando Lugo, do Paraguai, encontraram-se na linha divisória entre Pedro Juan e Ponta Porã, parte da chamada fronteira seca, que totaliza 400 quilômetros dos 1,2 mil existentes entre os dois países. Eu estava lá e ouvi os dois tomarem uma série de decisões para barrar o avanço do crime organizado na região.
Como tantas outras iniciativas tomadas para frear a violência na região, não funcionou. Quero chamar atenção para um fato. Lugo e Lula se encontram na fronteira oficial entre os dois países. Na verdade, a fronteira de fato está a uns 100 quilômetros dali, dentro do território paraguaio. Toda essa faixa de terras paraguaias é ocupada por quase um milhão de brasileiros, a maioria com problemas de documentação, uma herança da época da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954 e 1989). Eles ocupam, principalmente, a região da fronteira _ há lugares onde existem cinco brasileiros para um paraguaio.
Esta realidade alimenta a paranoia dos políticos paraguaios, de que o Brasil fará o mesmo que fez com o Acre (território boliviano invadido pelos seringueiros brasileiros que acabou sendo anexado ao Brasil). É dentro desse ambiente confuso que os criminosos conseguem se camuflar entre os migrantes que vivem e trabalham no Paraguai há mais de três décadas.
Conheço o problema dos migrantes brasileiros no Paraguai desde 1984. Pelo menos de dois em dois anos, ando por lá. A última vez foi na semana passada. Em todo esse tempo, tenho visto aumentar a coleção de fracassos na tentativa de resolver o problema da fronteira. Mesmo as iniciativas conjuntas entre os dois países fracassaram. O efeito do fracasso é o imenso crescimento do problema.
Nos anos 50, vinha do Paraguai para o Brasil contrabando de calças jeans, uísque, cigarro americano e perfumes europeus. Duas décadas depois, instalou-se nas terras paraguaias um verdadeiro entreposto de produtos eletrônicos, a maioria vinda da China. Nos anos 90, foi erguido um parque industrial de cigarros falsificados que abastecem boa parte do mercado brasileiro. Por último, o Paraguai se tornou entreposto da cocaína vinda da Colômbia, Bolívia e Peru e um grande produtor de maconha. A coca e a maconha são processadas em Capitán Bado, cidade paraguaia separada por uma avenida de Coronel Sapucaia, município agrícola no oeste do Mato Grosso do Sul. Depois, a droga é enviada ao Brasil, segundo maior mercado consumidor de drogas do mundo.
O problema da fronteira é grave. E não irá se resolver com medidas exóticas, tipo o muro que o presidente americano, Donald Trump, quer erguer na divisa com o México. Ou anexar as terras paraguaias ao Brasil. A solução é os dois governos resolverem o problema dos migrantes. O resto é secar gelo. Hoje, atuam na região a Polícia Federal (PF), a Polícia Nacional Paraguaia e muitos agentes do Drug Enforcement Administration (DEA). E também uma vasta estrutura brasileira de agentes da Receita Federal. As Forças Armadas Brasileiras também mantém operações na região. Digo mais: mesmo que colocassem um soldado do lado do outro até cobrir toda a extensão da fronteira, o problema não seria resolvido. E sabem por quê? Porque na fronteira Brasil-Paraguai, ninguém sabe quem é quem.

No jargão dos repórteres que trabalham com investigação é classificado como “pesadelo” o caso da morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Operação Lava-Jato, Teori Zavascki. Vejamos: a fila de suspeitos dá a volta em um quarteirão, todos engravatados, em um ambiente contaminado pela paixão política, onde impressiona o volume de informações duvidosas circulando nas redes sociais e nos noticiários. Soma-se a isso o enlouquecimento dos editores das redações trazido pela pressão dos concorrentes. O famoso bafo na nuca.
Este é o quadro. Nos 40 anos que faço matéria investigativa trabalhei diversas vezes em situações consideradas “pesadelo”. Aprendi alguns caminhos que vou compartilhar com os colegas. O primeiro mandamento: aumente grau de desconfiança com as informações vindas das “fontes confiáveis”, afinal elas também estão contaminadas pelo elevado volume de dados circulando.
Normalmente, o repórter começa a trabalhar apostando em mais de uma linha de investigação. Mas, neste tipo de caso o “bafo da nuca”, não pode se permitir a tal luxo. O caminho escolhido pelo repórter tem de garantir duas coisas: uma produção de novidades de curto prazo e um bom grau de confiabilidade da notícia que está publicando.
Dentro deste contexto, um dos caminhos é focar em aspectos já definidos na investigação, que ao seu entendimento seja fundamental na apuração dos fatos. No caso do ministro, um dos atores da cena do desastre é o avião – Prefixo: PR- SOM, modelo Hawker Beechft King Air C90. A linha de investigação aqui não é o resultado da perícia, que não pode ser esquecido, mas deve demorar. E sim a rotina da aeronave. Temos que tratar como se fosse uma pessoa. O que aconteceu com ela nos últimos 30 dias. Saber por onde e com quem a bordo andou. Quem são os mecânicos responsáveis pela sua manutenção e o pessoal da limpeza. Onde ela fica estacionada quando está fora de trabalho. Saber se o lugar tem segurança ou não. Dar uma olhada no histórico dos últimos abastecimentos de combustível – ficar atento a quebra de rotina.
Se o avião foi sabotado ou não, uma investigação na rotina da aeronave tem grandes chances de esclarecer o caso. A morte do ministro, e de mais quatro pessoas que estavam na aeronave, me lembrou um filme chamado Dossiê Pelicano, que trata do assassinato de juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos e dos candidatos que iriam substituí-los.
Segue o link para quem tiver o interesse de assisti-lo: https://www.youtube.com/watch?v=BrqugcBLttw.

A maneira como estamos informando os leitores dá a entender que são fatos isolados três acontecimentos que sacodem o Brasil: a guerra entre facções criminosas, envolvendo, de um lado, o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e, de outro, o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, e seu aliado Família do Norte (FDN), de Manaus (AM), que empilham cadáveres decapitados e esquartejados pelos presídios e ruas do país; as articulações do grupo que conspirou e derrubou a presidente Dilma Rousseff (PT-RS); e o trabalho da força-tarefa formada por procuradores da República, técnicos da Receita Federal e agentes da Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato, cujo símbolo é o juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba (PR).
Os fatos têm ligação. Basta fazer uma autópsia do contexto político do país e os pontos que os unem irão aparecer.
Um exemplo: a falta de pessoas qualificadas na área de segurança pública no governo federal é resultado da montagem de uma equipe feita às pressas pelos conspiradores. A consequência foram os massacres de presos em Manaus e Boa Vista(RR). Outro exemplo: sem conhecer o contexto do crime organizado do Rio do Janeiro, os investigadores da Lava Jato encarregados dos casos do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB) não levaram em conta que o Rio é território do CV, uma organização com muitas ramificações entre as instituições cariocas e entre os lavadores de dinheiro (eventualmente também conhecidos como doleiros).
Se cavar fundo nos acontecimentos é possível encontrar muita coisa comum entre alguns deles. Há um, em especial, que me preocupa enquanto repórter. Nos massacres de Manaus e Boa Vista, na conspiração para derrubar Dilma e na Lava Jato, o nosso trabalho deixou muito a desejar, tanto que colegas americanos se espantaram com a superficialidade da imprensa brasileira no caso de Dilma.
Justamente no momento que os leitores precisam de um maior volume de informações precisas, as redações estão sendo desmontadas por conta de erros estratégicos dos donos das empresas. Isso resultou em uma vulnerabilidade da apuração jamais vista. Cito como exemplo o seguinte: não se sabe exatamente quando e como o grupo do então vice-presidente Michel Temer decidiu desistir de salvar o mandato de Dilma e assumir o lugar dela. Esclarecer este ponto neste episódio é fundamental para entender o futuro do atual governo do presidente Temer.
No caso da Lava Jato, a cobertura jornalística está produzindo uma Escola de Base por dia, ou seja, um exemplo do que não se deve fazer em jornalismo (relembre o Caso Escola de Base em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/caso-escola-base-rede-globo-e-condenada-pagar-r-135-milhao.html). Sem condições de fazer uma investigação própria, estamos publicando relatórios da força tarefa como se fossem verdades absolutas. Também fizemos manchetes de conteúdos de delação premiada que ainda não foram investigados.
Na questão das facções, estamos vendendo aos leitores a ideia de que PCC, CV e FDN são organizações formadas por criminosos violentos e ignorantes. A violência a que assistimos é a parte visível destas organizações que funcionam como se fossem grandes empresas administradas por gestores capacitados.
Para entender o que está acontecendo é preciso atar o nó do que está rolando. A história costuma ser cruel com quem publica o fato pela metade.

A degola e o esquartejamento do inimigo, transformados em espetáculo nas redes sociais pelo Estado Islâmico (EI) para espalhar pavor entre seus inimigos, foram adotados como métodos de execução pelas facções criminosas brasileiras que estão em guerra aberta pelo controle do comércio de drogas (e das cadeias) no país.
A morte de maneira cruel foi a marca registrada dos recentes confrontos nas penitenciárias da Região Norte envolvendo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e seus inimigos do Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, estes aliados ao Famílias do Norte (FDN): foram 56 mortes no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compag) de Manaus (AM), e 31 mortes na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), em Boa Vista (RR).
A influência da maneira de agir do EI não começou agora. Ela pôde ser notada nos últimos 15 meses, por exemplo, em Porto Alegre (RS), onde o Diário Gaúcho (DG) têm noticiado casos de degola e de esquartejamento entre criminosos de quadrilhas rivais. Na edição de hoje do DG, o repórter Eduardo Torres publicou uma reportagem dando conta que no período foram 16 decapitações e apenas um inquérito concluído.
Há dezenas de vídeos das execuções feitas pelo Estado Islâmico nas redes. Ao assistir aos vídeos publicados sobre as mortes em Manaus e Boa Vista, a ligação com o EI é automática na cabeça de muitos, ouvi de um especialista.
O Estado Islâmico não inventou a degola ou o esquartejamento. São duas maneiras de matar seculares, presentes ao longo da trajetória da humanidade. No Rio Grande do Sul, nos tempos das revoltas civis, sobretudo na Revolução Federalista (1893-95), a degola foi amplamente utilizada por todos os lados em combate.
O que acontece é que o EI usa com muita competência as redes sociais para divulgar os seus massacres. E graças ao barateamento do uso da internet, os vídeos circulam o mundo com imensa rapidez, como foi o caso das mortes em Manaus e Boa Vista.
Também não é a primeira vez que criminosos brasileiros são influenciados por vídeos. Nos anos 2000 atuava nas estradas do Rio Grande do Sul um bando de assaltantes de carros-fortes liderado por José Carlos dos Santos, o Seco, um jovem de classe média nascido em Candelária, pequena cidade agrícola no Vale do Rio Pardo.
Como repórter, acompanhei de perto as ações ousadas do Seco. Ele inovou no assalto a carro-forte. Dirigindo um caminhão roubado, protegido por capacete de motoqueiro e com colchões enrolados no corpo, ele abalroava os carros-fortes e os jogava para fora da estrada. Terminava o serviço usando explosivos e armas pesadas. Foi preso e cumpre uma pena de mais de 100 anos no Rio Grande do Sul.
Depois que a quadrilha de Seco foi desbaratada, a investigação policial descobriu que os métodos por ele utilizados foram aprendidos em Fogo contra Fogo, um filme de ação de 1995, estrelado por Al Pacino e Robert De Niro, em que o enredo são as táticas de ataque do bando. (veja em www.youtube.com/watch?v=a51pQm1uSbQ). Mais ainda: no andar da investigação, os policiais descobriram que todo o bandido novo incorporado ao bando tinha como primeiro trabalho ver o filme.
Este filme influenciou na maneira de se organizarem as quadrilhas que agiam na primeira década de 2000 nas terras gaúchas. Mas os estúdios de cinema de Hollywood não são culpados por seus filmes serem usados como “aula” pelos bandidos. Desmantelar e prender as quadrilhas são trabalhos para a polícia brasileira.
Da mesma forma, o EI não pode ser apontado como culpado pelo que aconteceu em Manaus e Boa Vista. Mas sua influência no modo de agir das facções é um fato.

O massacre dos 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compag) de Manaus (AM) é a parte visível no acirramento da disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, na corrida para ocupar o lugar no tráfico de cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que será desmantelada por conta da evolução do acordo de paz com governo colombiano. Hoje todo o produtor de cocaína e o atacadista – aquele que vende em grande quantidade – pagam pedágio para as Farc. A Colômbia perfila-se entre os maiores e mais bem organizados produtores de cocaína do mundo. É a joia da coroa.
Em um primeiro momento o desmantelamento da Farc irá trazer o caos porque os seus soldados perdem a proteção da organização. Hoje, no mundo do crime, ninguém ataca alguém protegido pelas Farc porque sabe que o poder de resposta é imediato e arrasador. Se a organização deixar de existir é cada um por si. É neste momento que os brasileiros entram em cena ocupando o vazio deixado pela Farc. Isto será feito recrutando ex-combatentes ou simplesmente substituindo por outros. O PCC e o CV têm experiência no assunto. Nos anos 90, eles levaram a guerra para as fronteiras do Paraguai, Bolívia e Colômbia. Começaram liquidando os grupo locais. Uma das batalhas que ganhou notoriedade foi a travada pelo Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, contra o seu protetor o João Morel, líder de uma bem estruturada quadrilha em Capitán Bado, cidade paraguaia dividida por um rua empoeirada de Coronel Sapucaia, pequeno município no Oeste do Mato Grosso do Sul. Nos anos 60, Morel se instalou na região e começou com o contrabando de café e depois estruturou o tráfico de maconha, cocaína e armas. Fugindo da polícia no Rio de Janeiro, Beira-Mar foi acolhido e protegido por Morel. Beira-Mar fez uma aliança com as Farc – trocando cocaína por remédios, munição e armas – e começou a fazer sombra para Morel. Em janeiro de 2001, os dois se desentenderam e o Beira – Mar mandou executar os dois filhos dele, Ramón e Mauro. Uma semana depois, mandou matar o próprio Morel. Três meses depois, Beira-Mar foi preso pelo Exército da Colômbia, aliado com a Agência Anti-Drogas dos Estados Unidos (DEA), na selva colombiana. Fernandinho cumpre pena de 120 anos no Brasil.
Nas fronteiras, o PCC e o CV não lutam por território o tempo todo. Eles também fazem alianças estratégias para defender interesses comuns. Um ruidoso caso que aconteceu no ano passado é apontado como exemplo, a execução do Rei da Fronteira, o brasileiro Jorge Rafaat, condenado por tráfico de drogas no Brasil, que vivia em Juan Pedro Cabellaro – cidade paraguaia separada por uma avenida de Ponta Porã no Oeste do Mato Grosso do Sul. A morte foi cinematográfica – https://www.youtube.com/watch?v=2aW1Rb2Hl7w – e um dos motivos teria sido porque ele decidiu aumentar o preço da maconha e da cocaína que vendia ao PCC e o CV.
A Colômbia é a terra de Pablo Escobar – https://www.youtube.com/watch?v=nzDPEiyXdB8 -. poderoso traficante morto nos anos 90. País de criminosos muito ricos, cruéis e desconhecidos. Portanto, as organizações criminosas brasileiras podem virar laranja dos interesses dos chefões, um papel que tem sido desempenhado pelas Farc. Nas últimas três décadas, pelo menos de dois em dois anos, circulo pelas fronteiras fazendo reportagens e escrevendo livros. Aprendi que a longevidade de uma organização criminosa depende do seu poder de se adaptar as mudanças na conjuntura, um assunto que o PCC e o CV são mestres.

Por conta do que está por vir na Operação Lava Jato os deputados federais e os senadores nunca trabalharam tanto em um recesso parlamentar como estão trabalhando no atual. Na prática, apenas trocaram os ternos pela bermuda e o chinelo de dedo. Eles seguem agarrados aos seus telefones celulares e cobrando de seus assessores mais e mais informações a respeito do que está rolando na Lava Jato.

A preocupação não é exagerada. Eles vivem uma situação inédita na vida política do Brasil por conta do que está por vir com a homologação das delegações premiadas dos executivos da Odebrecht, que vai jogar merda no ventilador, como se diz no jargão dos repórteres. E ainda cresce diariamente a possibilidade de ocorrer a delação premiada do ex-deputado deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que cumpre prisão preventiva na Lava Jato.

Seja qual for o rumo que as coisas irão tomar durante o ano, quem tem mais a perder é o PMDB, que apostou alto na situação. Com Michel Temer, o partido ocupou a vice-presidência da República no governo de Dilma Rousseff (PT RS). Conspirou contra Dilma e agora Temer é o presidente do país. Para o partido conseguir continuar navegando na imensidão do mar agitado precisa manter aliados de confiança nas presidências do Senado e da Câmara Federal, que terão eleições no final de janeiro e começo de fevereiro.

O quadro na Câmara ainda é indefinido. O cargo atualmente é ocupado pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), em um mandado tampão de seis meses. Maia teve um papel importante na substituição de Dilma por Temer. A eleição para o Senado já tem definições. O atual presidente, o senador Renan Calheiros (PMDB AL), está fora do páreo, desgastado por responder a vários processos na Justiça Federal, sendo que é réu em um deles, o que o impede de assumir a Presidência da República em um eventual impedimento de Temer e Maia.

Dentro de uma situação normal, por ter maior bancada, 18 dos 81 senadores, o PMDB elegeria o substituto de Calheiros. Acontece que na bancada apenas três senadores não enfrentam problemas com a Justiça ou com a Polícia Federal (PF). Entre eles está Kátia Abreu (TO), ex-ministra da Agricultura de Dilma, amiga pessoal da ex-presidente e uma mulher que ganhou o respeito do PT por ter ficando ao lado de Dilma até o fim. Kátia é faca na bota, não leva desaforo para casa. A candidatura dela não é preferida de Temer, ou da maioria dos seus colegas de bancada. Mas é olhada com simpatia pela ala esquerda do seu partido e do PT, a segunda maior bancada no Senado. Este é o quadro da primeira semana de 2017. O que virá pela frente nenhum senador pode saber. Se soubesse, já teria entrando em férias.

A atual situação para os jovens repórteres é uma oportunidade de mostrar trabalho.