{"id":304,"date":"2017-06-23T09:49:51","date_gmt":"2017-06-23T12:49:51","guid":{"rendered":"http:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/?p=304"},"modified":"2017-06-23T09:49:51","modified_gmt":"2017-06-23T12:49:51","slug":"conheca-o-quarto-poder-da-republica-federativa-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2017\/06\/23\/conheca-o-quarto-poder-da-republica-federativa-do-brasil\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o quarto poder da Rep\u00fablica Federativa do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Oficialmente n\u00e3o existe. Mas, de fato, a Rep\u00fablica Federativa do Brasil tem um quarto poder que \u00a0atualmente \u00e9 comandado por dois grupos empresariais: Odebrecht e JBS. Os outros tr\u00eas poderes oficiais s\u00e3o o executivo (Presid\u00eancia da Rep\u00fablica), legislativo (C\u00e2mara dos Deputados e Senado) e judici\u00e1rio (tribunais).<\/p>\n<p>A exist\u00eancia do quarto poder foi revelada pelas investiga\u00e7\u00f5es da for\u00e7a-tarefa da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. E o seu funcionamento foi detalhado nas dela\u00e7\u00f5es premiadas feitas pelos empres\u00e1rios Joesley Batista, um dos donos da JBS, e Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, dezenas de executivos dos dois grupos empresariais, ex-ministros, burocratas de estatais e ex-ministros. Usando como moeda a propina, os dois grupos empresariais financiaram elei\u00e7\u00f5es de presidentes da Rep\u00fablica, senadores e deputados federais e subornaram funcion\u00e1rios e autoridades de tribunais. \u00a0Por meio do suborno, fizeram aprovar leis que beneficiaram suas empresas.<\/p>\n<p>De onde vinha o dinheiro do suborno? N\u00e3o era do bolso dos empres\u00e1rios. Mas do contribuinte. O sistema usado era muito simples. No caso da Odebrecht, ele vinha do superfaturamento de obras p\u00fablicas. Da JBS, de financiamentos, muitos sem as garantias devidas, de bancos p\u00fablicos. No Senado e na C\u00e2mara Federal, o quarto poder pagava suborno para os parlamentares defenderem os seus interesses. Os dois casos mais not\u00f3rios foram do senador Delc\u00eddio Amaral (PT &#8211; MS), que foi preso, cassado e tornou-se delator da Lava Jato &#8211; toda a hist\u00f3ria pode ser encontrada na internet. E o do presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha (PMDB &#8211; RJ), que foi cassado e condenado a 15 anos de pris\u00e3o pelo juiz S\u00e9rgio Moro, da Lava Jato. O ex-parlamentar cumpre pena na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba (PR). Antes de ser cassado, Cunha foi pe\u00e7a fundamental na conspira\u00e7\u00e3o feita pelo grupo pol\u00edtico do presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer (PMDB &#8211; SP). A conspira\u00e7\u00e3o resultou no impeachment da presidente da Rep\u00fablica Dilma Rousseff (PT &#8211; RS), que teve o cargo ocupado pelo seu vice, Temer.<\/p>\n<p>Um dos pilares da conspira\u00e7\u00e3o que resultou na queda de Dilma foi o boicote a economia, que j\u00e1 vinha com problemas. Ele aconteceu com a vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara Federal, presidida por Cunha, das chamadas\u00a0 &#8220;pautas-bomba&#8221; \u2013 vota\u00e7\u00e3o de projetos que aumentariam as despesas do governo. Durante o processo do impeachment, o empres\u00e1rio Joesley Batista comprou cinco deputados, ao custo de R$ 3 milh\u00f5es cada, para votar a favor de Dilma. Portanto, contra Temer. Meses depois, o empres\u00e1rio fez uma dela\u00e7\u00e3o premiada onde revelou que tinha uma liga\u00e7\u00e3o muito forte e pessoal com o Temer. Revelou, em detalhes, as v\u00e1rias vezes em que subornou o atual presidente da Rep\u00fablica para defender os seus interesses. E tamb\u00e9m subornava o senador A\u00e9cio Neves (PSDB &#8211; MG) para cuidar de neg\u00f3cios de suas empresas. No m\u00eas passado, na sua dela\u00e7\u00e3o premiada, Joesley Batista ferrou, entre outros: Temer, A\u00e9cio\u00a0 e Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda de Dilma).<\/p>\n<p>Ao optar por salvar o seu pesco\u00e7o e ferrar os seus ex-aliados, Joesley Batista seguiu o mesmo caminho de seu colega empres\u00e1rio Marcelo Odebrecht, que na sua dela\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou pedra sobre pedra. Mostrou, com riqueza de detalhes, como nutriu com grandes somas de dinheiro as campanhas presidenciais do PT e do PSDB. Um dos denunciados por Marcelo foi Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, no governo Lula,\u00a0 e da Casa Civil, no mandato de Dilma. Palocci est\u00e1 preso preventivamente e negocia uma dela\u00e7\u00e3o premiada com a Lava Jato. Aqui vale uma lembran\u00e7a. Durante as dela\u00e7\u00f5es, Em\u00edlio Odebrecht, pai de Marcelo, disse que n\u00e3o entendia o motivo pelo qual a imprensa estava fazendo todo aquele alarido sobre as dela\u00e7\u00f5es, se j\u00e1 sabia o que acontecia havia tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ele tem raz\u00e3o.\u00a0 A estrutura\u00e7\u00e3o do quarto poder n\u00e3o \u00e9 de hoje. Ele vem de longe &#8211; \u00e9 j\u00e1 foi ocupada por v\u00e1rias grandes empresas. Hoje surpreende pelo grau de sofistica\u00e7\u00e3o a que chegou e pelo tamanho da rede de pessoas subornadas. E, cruzando as informa\u00e7\u00f5es das dela\u00e7\u00f5es, uma coisa fica clara: o dinheiro do quarto poder n\u00e3o tem ideologia nem fidelidade. Ele \u00e9 distribu\u00eddo entre os grupos pol\u00edticos amigos e inimigos. O que interessa e ter liga\u00e7\u00f5es com quem ganhar a disputa eleitoral. Aqui gostaria de refletir com os meus colegas rep\u00f3rteres, principalmente os novatos. N\u00f3s temos que mostrar aos nossos leitores, de uma maneira simples, objetiva e sem frescura, como o dinheiro usado pelo quarto poder prejudicou o cotidiano dele. O preju\u00edzo n\u00e3o foi s\u00f3 a falta de dinheiro para comprar o rem\u00e9dio para o posto de sa\u00fade. \u00c9 muito mais que isso. O maior preju\u00edzo \u00e9 que o parlamentar que ele elegeu n\u00e3o est\u00e1 defendendo os interesses dele. Muito pelo contr\u00e1rio. Mas da corpora\u00e7\u00e3o que o suborna para defender e aprovar leis que a beneficie.\u00a0 O quarto poder conseguiu tornar o voto apenas uma formalidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oficialmente n\u00e3o existe. Mas, de fato, a Rep\u00fablica Federativa do Brasil tem um quarto poder que \u00a0atualmente \u00e9 comandado por dois grupos empresariais: Odebrecht e JBS. 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