{"id":3286,"date":"2020-02-11T09:26:57","date_gmt":"2020-02-11T12:26:57","guid":{"rendered":"http:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/?p=3286"},"modified":"2020-02-11T09:28:11","modified_gmt":"2020-02-11T12:28:11","slug":"e-um-incentivo-a-matanca-de-mulheres-casos-como-o-da-professora-de-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2020\/02\/11\/e-um-incentivo-a-matanca-de-mulheres-casos-como-o-da-professora-de-pelotas\/","title":{"rendered":"\u00c9 um incentivo \u00e0 matan\u00e7a de mulheres casos como o da professora de Pelotas"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"3287\" data-permalink=\"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2020\/02\/11\/e-um-incentivo-a-matanca-de-mulheres-casos-como-o-da-professora-de-pelotas\/desaparecidas1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/desaparecidas1.jpg?fit=297%2C170&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"297,170\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"desaparecidas1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/desaparecidas1.jpg?fit=297%2C170&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/desaparecidas1.jpg?resize=624%2C357\" alt=\"\" class=\"wp-image-3287\" width=\"624\" height=\"357\"\/><figcaption>Professora Cl\u00e1udia (esquerda), Sirlene (centro) e Luana (direita) as tr\u00eas s\u00e3o procuradas vivas ou mortas pelos seus parentes, a pol\u00edcia tem suspeitos. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitos motivos para explicar o fant\u00e1stico crescimento de 233,33% no n\u00famero de assassinatos de mulheres no primeiro m\u00eas de 2020 comparado com janeiro de 2019. Mas um motivo em particular incentiva este tipo de crime, cujo nome t\u00e9cnico \u00e9 feminic\u00eddio: a impunidade que ocorre quando a pol\u00edcia n\u00e3o consegue provas que levem ao assassino, porque o corpo da v\u00edtima n\u00e3o \u00e9 encontrado. Incluem-se nessa condi\u00e7\u00e3o os casos de tr\u00eas mulheres desaparecidas no Rio Grande do Sul, sendo que uma delas estava gr\u00e1vida de sete meses e outra acompanhada pelo filho de sete anos. Os suspeitos, segundo a pol\u00edcia, em um dos casos \u00e9 o ex-marido e nos outros dois, os amantes. Todos foram investigados, e dois foram indiciados, sendo que um ficou 50 dias preso. Mas se safaram porque a pol\u00edcia n\u00e3o conseguiu reunir provas para incrimin\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>As desaparecidas, procuradas vivas ou mortas, s\u00e3o: Porto Alegre, 2005, a comerciante Sirlene de Freitas Moraes, 42 anos, acompanhada pelo seu filho Gabriel, sete. Tr\u00eas Passos, 2011, Cintia Luana Ribeiro Moraes, 14 anos, gr\u00e1vida de sete meses. Pelotas, 2015, Cl\u00e1udia Hartleben, 47 anos, professora do curso de biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).  A Pol\u00edcia Civil n\u00e3o tem estrutura para resolver casos que exigem uma longa investiga\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, eles s\u00f3 s\u00e3o resolvidos ao acaso. Como aconteceu com a contadora Sandra Mara Trentin, 48 anos, de Palmeira das Miss\u00f5es. Desapareceu em janeiro de 2018 e a pol\u00edcia prendeu como suspeito o seu marido, Paulo Landfeldt. Ele foi acusado de ter contratado Ismael Bonetto para praticar o crime. Como o corpo n\u00e3o foi encontrado, Landfeldt conseguiu um habeas corpus e foi liberado. Um ano depois, em 2019, um agricultor encontrou ao acaso um corpo enterrado em uma cova rasa ao lado da BR-153, no trecho Palmeira e Panambi. A aut\u00f3psia contou uma hist\u00f3ria para a pol\u00edcia, e incriminou Landfeldt e Bonetto. Os dois est\u00e3o presos aguardando julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas minhas andan\u00e7as como rep\u00f3rter investigativo, eu aprendi uma coisa: a presen\u00e7a do Estado, mesmo que seja m\u00ednima, demonstra para o matador que a busca pela prova continua. E para os familiares, que o Estado n\u00e3o os abandonou. Os policiais antigos chamam isso de \u201cefeito pedag\u00f3gico\u201d, um recado para o matador, de que a pol\u00edcia permanece atr\u00e1s dele. Tenho defendido a necessidade da Pol\u00edcia Civil montar uma estrutura m\u00ednima para continuar a investiga\u00e7\u00e3o desses casos. Fiz isso no post \u201cProcurados vivos ou mortos\u201d, em setembro de 2018, e em \u201cA imprensa n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para o desaparecimento da professora de Pelotas\u201d, em novembro de 2019. Por qu\u00ea? Sou um velho rep\u00f3rter estradeiro, 69 anos, 40 de profiss\u00e3o e 30 e poucos nas reda\u00e7\u00f5es. Sempre trabalhei em investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e mat\u00e9rias de conflitos sociais. O inferno que as fam\u00edlias dos desaparecidos vivem por n\u00e3o saber o que aconteceu vez ou outra povoa os meus pensamentos. O vice-governador e titular da Secret\u00e1ria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP), delegado Ranolfo Vieira J\u00fanior, \u00e9 um profundo conhecedor do problema. O atual governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), era prefeito de Pelotas quando a professora Cl\u00e1udia desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p> Os meus colegas rep\u00f3rteres, que est\u00e3o nas reda\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o conhecedores do assunto. Um aviso a estes meus colegas: quando voc\u00eas sa\u00edrem da reda\u00e7\u00e3o, esse tipo de caso n\u00e3o fica a\u00ed em uma gaveta, ele te acompanha. A estat\u00edstica que citei no come\u00e7o da conversa \u00e9 da SSP \u2013 h\u00e1 v\u00e1rias mat\u00e9rias na internet sobre o assunto. Na segunda-feira (10\/02), o governo disponibilizou as estat\u00edsticas dos crimes. A maioria baixou na compara\u00e7\u00e3o do primeiro m\u00eas de 2020 com janeiro de 2019, principalmente os chamados crimes importantes, tipo: homic\u00eddios, -36,68%; ataque a bancos, -50%; e roubo de ve\u00edculos, -26,32%. O Rio Grande do Sul possui uma das melhores redes de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres do Brasil. Mas n\u00e3o tem conseguido impedir o aumento dos casos de feminic\u00eddio, um crime que geralmente tem os filhos como testemunha. Como rep\u00f3rter, j\u00e1 estive na cena de v\u00e1rios desses crimes. \u00c9 algo que nunca mais se esquece.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem muitos motivos para explicar o fant\u00e1stico crescimento de 233,33% no n\u00famero de assassinatos de mulheres no primeiro m\u00eas de 2020 comparado com janeiro de 2019. 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