{"id":4531,"date":"2021-06-05T16:05:47","date_gmt":"2021-06-05T19:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/?p=4531"},"modified":"2021-06-05T17:55:47","modified_gmt":"2021-06-05T20:55:47","slug":"o-inquerito-policial-tem-a-prova-que-pode-resolver-o-sumico-da-professora-claudia-da-ufpel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2021\/06\/05\/o-inquerito-policial-tem-a-prova-que-pode-resolver-o-sumico-da-professora-claudia-da-ufpel\/","title":{"rendered":"O inqu\u00e9rito policial tem a prova que pode resolver o sumi\u00e7o da professora Cl\u00e1udia, da UFPel"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"4532\" data-permalink=\"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2021\/06\/05\/o-inquerito-policial-tem-a-prova-que-pode-resolver-o-sumico-da-professora-claudia-da-ufpel\/claudia100\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/claudia100.jpg?fit=275%2C183&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"275,183\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"claudia100\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/claudia100.jpg?fit=275%2C183&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/claudia100.jpg?resize=526%2C350&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4532\" width=\"526\" height=\"350\"\/><figcaption>At\u00e9 agora o desaparecimento da professora Cl\u00e1udia \u00e9 um crime perfeito. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 se passaram seis anos e alguns dias desde o desaparecimento da professora Cl\u00e1udia Hartleben (47 anos, na \u00e9poca) na noite de 9 de abril de 2015. At\u00e9 o presente momento (04\/06), o sumi\u00e7o \u00e9 considerado pelos envolvidos e policiais que trabalharam no caso um crime perfeito contra a professora do curso de Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em mar\u00e7o de 2019, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual pediu o arquivamento do caso. Sem cad\u00e1ver, sem prova, \u00e9 assim que acaba a maioria dos casos desse tipo. No Rio Grande do Sul existem outros dois epis\u00f3dios semelhantes: em 2005, na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, Sirlene Freitas Moraes (42 anos, na \u00e9poca) sumiu junto com o seu filho Gabriel (sete anos, na \u00e9poca). Em 2011, Cintia Luana Ribeiro Moraes, (14 anos, na \u00e9poca), gr\u00e1vida de sete meses, sumiu em Tr\u00eas Passos, cidade agr\u00edcola do interior do Rio Grande do Sul. Nos tr\u00eas casos, a investiga\u00e7\u00e3o policial identificou os suspeitos, mas n\u00e3o conseguiu provar o crime porque n\u00e3o havia um cad\u00e1ver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que unem os tr\u00eas casos \u00e9 que eles envolvem brigas com ex-companheiros. Por\u00e9m, o caso da professora Cl\u00e1udia \u00e9 diferente dos outros dois porque o seu autor planejou tudo com uma riqueza imensa de detalhes. Mas \u00e9 justamente esse planejamento o seu ponto fraco. Por qu\u00ea? Por envolver muitos detalhes s\u00e3o maiores as chances do investigador encontrar \u201cpontas soltas\u201d \u2013 coisas que n\u00e3o fecham. Vou citar fatos levantados pela investiga\u00e7\u00e3o policial. No dia do desaparecimento, Cl\u00e1udia deixou o campus da UFPel por volta das 18h. Andou pela cidade e, \u00e0s 20h, foi at\u00e9 a casa de uma amiga, a veterin\u00e1ria Eliza Komminou (34 anos, na \u00e9poca). \u00c0s 22h43min, Cl\u00e1udia despediu-se da amiga e seguiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua casa, que ficava a 10 minutos de dist\u00e2ncia. No meio do trajeto teve uma conversa por celular (durou 14 segundos) com o seu ent\u00e3o companheiro, Pedro Luiz Ballverdu Gomes, que se encontrava em viagem de neg\u00f3cios em Porto Alegre. Quando terminou a liga\u00e7\u00e3o, ela estava a cerca de cinco minutos de casa. No entanto, demorou quase uma hora para chegar \u00e0 resid\u00eancia (\u00e0s 23h30min). O som do motor do carro e o ru\u00eddo do port\u00e3o foram ouvidos pela m\u00e3e e pelo irm\u00e3o de Cl\u00e1udia, que moram pr\u00f3ximos. Foi a \u00faltima vez que a fam\u00edlia teve not\u00edcia da professora.  Dentro de casa foram encontrados objetos que ela usava: cal\u00e7a, blusa, chinelos, brinco, an\u00e9is, pulseiras, rel\u00f3gio e computador. Desapareceram: celular, carteira e cart\u00f5es banc\u00e1rios (n\u00e3o foram feitos saques nas suas contas). Uma c\u00e2mara de seguran\u00e7a  registou a passagem do seu carro quando voltava para  casa. Muito bem. H\u00e1 uma enxurrada de perguntas que podem ser feitas e respondidas examinando o per\u00edodo transcorrido entre a conversa telef\u00f4nica de Cl\u00e1udia com o companheiro dela e o momento em que a m\u00e3e e o irm\u00e3o ouviram o som do motor e o rangido do port\u00e3o. O filho da professora, Jo\u00e3o F\u00e9lix, estava em casa, mas dormia e n\u00e3o ouviu a m\u00e3e chegar. Foram examinadas 80 horas de registros nas c\u00e2meras de seguran\u00e7a da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o policial conseguiu rastrear a rotina da professora do momento em que ela saiu do campus da UFPel at\u00e9 ela sumir. \u00c9 preciso esmiu\u00e7ar essas informa\u00e7\u00f5es uma a uma na busca da pista que levar\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o do caso. Por que a pol\u00edcia n\u00e3o est\u00e1 mexendo no desaparecimento da professora Cl\u00e1udia? Simples. A imprensa o varreu para baixo do tapete. Todo rep\u00f3rter sabe que as autoridades s\u00f3 agem quando a imprensa chuta a porta delas. \u00c9 assim em todos os pa\u00edses democr\u00e1ticos do mundo. Vejamos o seguinte: o secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Ranolfo Vieira J\u00fanior, tamb\u00e9m conhecido como Delegado Ranolfo, \u00e9 um bom policial. Ele tamb\u00e9m \u00e9 vice-governador de Eduardo Leite (PSDB-RS), que foi prefeito de Pelotas (2013 a 2017). Portanto, conhece o caso. A Chefia da Pol\u00edcia Civil est\u00e1 a cargo da delegada Nadine Anflor, que tem uma pol\u00edtica forte de combate \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. Pelotas tem uma emissora de TV, a RBS TV, v\u00e1rias emissoras de r\u00e1dio e um jornal local di\u00e1rio, o Di\u00e1rio Popular, al\u00e9m de faculdades de jornalismo. Outro fator: existe uma press\u00e3o popular local para que o caso seja resolvido. Lendo tudo isso que escrevi, teoricamente o caso tem tudo para ser solucionado. A realidade \u00e9 diferente. A imprensa n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para o sofrimento da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho chamado a aten\u00e7\u00e3o dos meus colegas rep\u00f3rteres que, devido ao perfil do caso, o desaparecimento da professora Cl\u00e1udia tem forte apelo de leitura. As pessoas querem saber o que aconteceu. Ningu\u00e9m some no ar. Ainda mais nos dias atuais, em que existem equipamentos eletr\u00f4nicos de vigil\u00e2ncia por todos os cantos. Enquanto o caso n\u00e3o for resolvido, os principais suspeitos (o ex-marido Jo\u00e3o Morato Fernandes e o seu filho Jo\u00e3o F\u00e9lix) v\u00e3o ser eternos culpados. A imprensa tradicional vive um momento de crise devido \u00e0 migra\u00e7\u00e3o de anunciantes para outras plataformas de comunica\u00e7\u00e3o e o desaparecimento de leitores. H\u00e1 v\u00e1rios motivos para os leitores sumirem, eu cito o principal: a irrelev\u00e2ncia do notici\u00e1rio para o seu dia a dia. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil manter esse caso nas p\u00e1ginas dos jornais em raz\u00e3o do interesse dos leitores. E o simples fato de mant\u00ea-lo no notici\u00e1rio \u00e9 uma maneira da imprensa sinalizar para os agressores de mulheres que est\u00e1 atenta. O desaparecimento da professora Cl\u00e1udia n\u00e3o pode ser esquecido pela imprensa. Seja qual for o destino pol\u00edtico do governador Leite quando acabar o mandato, ele vai carregar no seu curr\u00edculo o caso da professora desaparecida da UFPel. Podem anotar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 se passaram seis anos e alguns dias desde o desaparecimento da professora Cl\u00e1udia Hartleben (47 anos, na \u00e9poca) na noite de 9 de abril de 2015. 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