{"id":542,"date":"2017-11-14T13:24:49","date_gmt":"2017-11-14T16:24:49","guid":{"rendered":"http:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/?p=542"},"modified":"2017-11-15T19:50:24","modified_gmt":"2017-11-15T22:50:24","slug":"a-policia-federal-pode-entrar-no-caso-da-professora-desaparecida-da-ufpel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2017\/11\/14\/a-policia-federal-pode-entrar-no-caso-da-professora-desaparecida-da-ufpel\/","title":{"rendered":"A Pol\u00edcia Federal pode entrar no caso da professora desaparecida da UFPel"},"content":{"rendered":"<figure style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/claudinha.jpg?resize=290%2C400\" alt=\"Foto da professora Cl\u00e1udia Pinho Hartleben sorrindo. Ela \u00e9 branca, cabelos lisos pela altura dos ombros, soltos..\" width=\"290\" height=\"400\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cl\u00e1udia Pinho Hartleben: desaparecimento pode ser investigado pela PF.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se for descoberta uma pista de que o desaparecimento, em 2015, de Cl\u00e1udia Pinho Hartleben tem a ver com o exerc\u00edcio do seu cargo de professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o caso ir\u00e1 para a Pol\u00edcia Federal (PF). At\u00e9 agora, a investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela Pol\u00edcia Civil e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MP-RS). Dois suspeitos foram denunciados como autores do desaparecimento. A den\u00fancia n\u00e3o foi aceita pela Justi\u00e7a Estadual, e o caso prossegue sem solu\u00e7\u00e3o. Dois anos e sete meses depois, o desaparecimento segue sendo um assunto permanente nas conversas dos 350 mil moradores da cidade, principalmente da comunidade universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Antes de seguir conversando o sobre o caso. Vejo na insist\u00eancia de n\u00f3s, rep\u00f3rteres, em n\u00e3o deixar o caso parado\u00a0n\u00e3o s\u00f3 uma\u00a0obriga\u00e7\u00e3o de of\u00edcio. Mas uma grande oportunidade de fornecer aos\u00a0nossos leitores as informa\u00e7\u00f5es corretas sobre o que aconteceu. Para os jovens rep\u00f3rteres, \u00e9 uma oportunidade de um lugar ao sol. Vamos ao caso. Na noite de 9 de abril de 2015, Cl\u00e1udia, uma mulher bonita de 47 anos, foi jantar na casa de uma amiga. Depois do jantar, teria ido para casa, onde foi encontrado o seu carro, e nunca mais foi vista. Esse tipo de investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um pesadelo para qualquer policial, porque s\u00e3o muitas as hip\u00f3teses do que possa ter acontecido. E, sempre que esse tipo de apura\u00e7\u00e3o come\u00e7a com uma pista concreta, se ela n\u00e3o se confirmar, o caso vai por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Civil e o Minist\u00e9rio P\u00fablico fizeram uma parceria para investigar o caso. E a apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ou admitindo todas as hip\u00f3teses, como \u00e9 de praxe. Mas, logo nos primeiros dias, uma linha de investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se consolidar, que foi o de crime passional. O ex-marido da professora teria afirmado que um dia iria mat\u00e1-la e ningu\u00e9m encontraria o corpo. Ao longo da apura\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios depoimentos foram consolidando a tese de crime passional. No final, o ex-marido e um filho do casal foram denunciados como autores do desaparecimento. Sem o corpo da professora, o caso n\u00e3o se sustentou, e a Justi\u00e7a n\u00e3o aceitou a den\u00fancia. J\u00e1 vi isso acontecer antes. Como rep\u00f3rter em um caso que trabalhei em 2005, em Porto Alegre. A comerciante Sirlene Moraes, 42 anos, e o seu filho Gabriel, sete anos, foram se encontrar com um m\u00e9dico homeopata que teve um caso extraconjugal com ela e seria o pai do menino. M\u00e3e e filho nunca mais foram vistos. O m\u00e9dico chegou a ser preso. Mas a sua pris\u00e3o foi revogada, e o caso, encerrado por falta de provas, j\u00e1 que os corpos nunca foram encontrados.<\/p>\n<h3>Diferen\u00e7a dos casos<\/h3>\n<p>Existem duas diferen\u00e7as entre os casos de Sirlene e Cl\u00e1udia que podem ajudar na investiga\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 que o caso da comerciante acontece em 2005, e o da professora, em 2015, uma d\u00e9cada de diferen\u00e7a em que a tecnologia de vigil\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 se modernizou como se ampliou, devido ao barateamento do uso da internet. Em 2015, existem c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia por todos os cantos, principalmente em cidades como Pelotas. Aqui tem uma observa\u00e7\u00e3o. Uma imagem de c\u00e2mera n\u00e3o precisa colocar o suspeito na cena do crime para ser valiosa. Ela tamb\u00e9m pode mostrar ao investigador onde o seu alvo estava na hora em que crime foi cometido, o que ajuda um monte na apura\u00e7\u00e3o. Mais ainda: em 2005, os telefones celulares no Brasil eram rastreados pela pol\u00edcia, identificando a torre de telefonia que usava na hora da liga\u00e7\u00e3o. Hoje, os celulares t\u00eam GPS (em ingl\u00eas, <em>global positioning system<\/em>), que \u00e9 muito mais preciso na localiza\u00e7\u00e3o do aparelho. A maioria dos ve\u00edculos tamb\u00e9m tem GPS. Portanto, em 2015 \u00e9 muito mais dif\u00edcil uma pessoa desaparecer sem deixar vest\u00edgios do que em 2005.<\/p>\n<p>A outra grande diferen\u00e7a entre os casos da comerciante e da professora \u00e9 o ambiente onde as duas viviam. Sirlene e sua fam\u00edlia viviam do com\u00e9rcio de roupas, tinham uma loja em shopping center popular de Porto Alegre. Ela comunicou ao seu marido que ele n\u00e3o era pai de Gabriel dias antes de desaparecer. E o \u00e1libi do marido convenceu a pol\u00edcia de que ele n\u00e3o tinha nada a ver com o desaparecimento. Cl\u00e1udia era professora do curso de Biotecnologia da universidade e, al\u00e9m do conflito com o ex-marido, ela tamb\u00e9m convivia em um ambiente de muitas hist\u00f3rias n\u00e3o explicadas na UFPel. Aconteceram dois grandes esc\u00e2ndalos na reitoria da universidade: em 2013, com a compra e o arrendamento de im\u00f3veis, consideradas pr\u00e1ticas ilegais pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU); e em 2015, com a concess\u00e3o de bolsas de estudos para quem n\u00e3o tinha direito. Esses dois esc\u00e2ndalos, somados \u00e0s disputas pol\u00edticas entre os professores, foram respons\u00e1veis por um profundo racha na comunidade universit\u00e1ria da UFPel.<\/p>\n<h3>Conflitos<\/h3>\n<p>Acompanhei a cobertura dos meus colegas nos dois esc\u00e2ndalos e me envolvi em algumas das apura\u00e7\u00f5es. E a professora Cl\u00e1udia n\u00e3o estava envolvida em nenhum deles.\u00a0 Mas ela e seus colegas conviviam dentro de uma comunidade extremamente dividida e abalada por tudo que acontecia. Saber se esse ambiente hostil teve alguma coisa a ver com o desaparecimento da professora \u00e9 um trabalho para a PF. Enquanto o caso n\u00e3o for esclarecido, todas as linhas de investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidas. O cotidiano das pessoas no mundo de hoje \u00e9 cercado por um aparato tecnol\u00f3gico onde ningu\u00e9m some sem deixar &#8220;rastros virtuais&#8221;. Seja l\u00e1 o que tenha acontecido com a professora Cl\u00e1udia, em algum lugar existe uma pista que conduzir\u00e1 o investigador \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do caso. Um bom caminho para chegar l\u00e1 \u00e9 recome\u00e7ar essa investiga\u00e7\u00e3o da estaca zero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se for descoberta uma pista de que o desaparecimento, em 2015, de Cl\u00e1udia Pinho Hartleben tem a ver com o exerc\u00edcio do seu cargo de professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o caso ir\u00e1 para a Pol\u00edcia Federal (PF). 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