{"id":8062,"date":"2024-04-09T06:41:36","date_gmt":"2024-04-09T09:41:36","guid":{"rendered":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/?p=8062"},"modified":"2024-04-09T06:41:36","modified_gmt":"2024-04-09T09:41:36","slug":"e-licao-de-casa-da-imprensa-esmiucar-os-50-dias-de-fuga-dos-presos-de-mossoro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2024\/04\/09\/e-licao-de-casa-da-imprensa-esmiucar-os-50-dias-de-fuga-dos-presos-de-mossoro-2\/","title":{"rendered":"\u00c9 li\u00e7\u00e3o de casa da imprensa esmiu\u00e7ar os 50 dias de fuga dos presos de Mossor\u00f3"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"168\" data-attachment-id=\"8063\" data-permalink=\"https:\/\/carloswagner.jor.br\/blog\/2024\/04\/09\/e-licao-de-casa-da-imprensa-esmiucar-os-50-dias-de-fuga-dos-presos-de-mossoro-2\/presosforagidos5000-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/presosforagidos5000-1.jpeg?fit=300%2C168&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,168\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"presosforagidos5000-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/presosforagidos5000-1.jpeg?fit=300%2C168&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/carloswagner.jor.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/presosforagidos5000-1.jpeg?resize=300%2C168&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-8063\" style=\"width:629px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Se n\u00e3o fossem as penitenci\u00e1rias federais, a criminalidade explodiria nos\u00a0estados\u00a0do\u00a0Sul Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Qual \u00e9 o tamanho do poder de fogo e das articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das grandes organiza\u00e7\u00f5es criminosas no Brasil? Essas perguntas come\u00e7aram a ser respondidas com a pris\u00e3o, na \u00faltima quinta-feira (4\/4), dos dois fugitivos da Penitenci\u00e1ria de Seguran\u00e7a M\u00e1xima de Mossor\u00f3 (RN). Rog\u00e9rio Mendon\u00e7a, 36 anos, e Deibson Nascimento, 34 anos, dois l\u00edderes da fac\u00e7\u00e3o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, escaparam na madrugada de 14 de fevereiro, tornando-se os primeiros a fugir de um pres\u00eddio federal. Foram capturados 50 dias depois, em Marab\u00e1, no Par\u00e1, 1,6 mil quil\u00f4metros distantes de Mossor\u00f3, depois de serem perseguidos por uma das maiores e mais bem equipadas for\u00e7as-tarefas policiais j\u00e1 formadas no Brasil, integrada por 500 agentes, e que custou ao governo R$ 6 milh\u00f5es, uma mixaria para os cofres p\u00fablicos tendo em vista o que estava em jogo: a credibilidade do sistema carcer\u00e1rio federal de seguran\u00e7a m\u00e1xima, que \u00e9 composto por cinco penitenci\u00e1rias, onde est\u00e1 presa a nata das organiza\u00e7\u00f5es criminosas mais letais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi justamente pelo governo federal n\u00e3o ter poupado dinheiro e recursos humanos e materiais na busca dos fugitivos que os acontecimentos desses 50 dias representam uma enorme e importante quantidade de informa\u00e7\u00f5es que precisam ser esmiu\u00e7adas para se ter uma ideia de com quem e com o que estamos lidando. Vamos a nossa conversa. No in\u00edcio do caso existiam duas teses para explicar as fugas: a primeira \u00e9 que tinha sido organizada pelos l\u00edderes do CV. Portanto, teria a parceria de agentes carcer\u00e1rios. Nesse caso, as possibilidades da captura eram pequenas, porque certamente haveria um grupo de plant\u00e3o no lado de fora da penitenci\u00e1ria esperando os fugitivos para tir\u00e1-los da regi\u00e3o. A segunda tese era de que as fugas tinham acontecido gra\u00e7as ao somat\u00f3rio de uma s\u00e9rie de falhas na execu\u00e7\u00e3o dos protocolos de seguran\u00e7a da penitenci\u00e1ria que foram aproveitadas pelos dois experientes bandidos. Mendon\u00e7a responde a 50 processos e j\u00e1 foi condenado a 74 anos de cadeia. Nascimento responde a 30 processos e est\u00e1 sentenciado a uma pena de 30 anos. Em 2023, os dois foram transferidos do Pres\u00eddio Ant\u00f4nio Amaro Alves, em Rio Branco (AC), para a Penitenci\u00e1ria de Mossor\u00f3 por terem liderado uma rebeli\u00e3o. No caso de ter acontecido essa segunda hip\u00f3tese, a for\u00e7a-tarefa teria chances reais de recaptur\u00e1-los, porque eles ainda estariam na regi\u00e3o, tentando fugir. Falei sobre essas duas teses em 16 de fevereiro, no post&nbsp;<em>Fuga dos presos de Mossor\u00f3 afeta a credibilidade das penitenci\u00e1rias federais?<\/em>&nbsp;Uma semana antes da pris\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica concluiu a investiga\u00e7\u00e3o sobre a fuga e n\u00e3o encontrou envolvimento criminoso dos funcion\u00e1rios. Mas uma s\u00e9rie de neglig\u00eancias no cumprimento dos protocolos da penitenci\u00e1ria. Em consequ\u00eancia da investiga\u00e7\u00e3o foi demitido o diretor do pres\u00eddio, Humberto Gleydson Fontinele. Resumindo: depois de fugirem, Mendon\u00e7a e Nascimento estavam por sua conta. Como conseguiram sobreviver por 50 dias sendo perseguidos por uma for\u00e7a-tarefa policial de 500 agentes equipados com tecnologia de ponta e recursos econ\u00f4micos ilimitados para cumprir a miss\u00e3o? Os especialistas apontam v\u00e1rios fatores para a longa sobreviv\u00eancia dos fugitivos, vou destacar os que considero fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ando pelo treinamento que Mendon\u00e7a e Nascimento tiveram para se esconder de equipamentos de alta tecnologia, como drones, raios infravermelhos e outras parafern\u00e1lias eletr\u00f4nicas. Vou lembrar ao leitor que nos primeiros dias da fuga foi descoberto um buraco no ch\u00e3o, usado pelos bandidos para dormir \u00e0 noite e n\u00e3o serem descobertos por drones equipados com raios infravermelhos. Como tamb\u00e9m para escapar dos agentes usando \u00f3culos de vis\u00e3o noturna. Eles n\u00e3o aprenderam como evitar serem detectados por esses equipamentos no Google. J\u00e1 publicamos mat\u00e9rias mostrando que as organiza\u00e7\u00f5es criminosas, como o CV, se valem de consultores, ex-militares e mercen\u00e1rios para treinar os seus quadros no uso das modernas tecnologias e tamb\u00e9m como escapar de serem descobertos pela parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica usadas pelos agentes da lei. Outro assunto que considero importante \u00e9 o seguinte. Por tudo que publicamos nas duas primeiras semanas, os foragidos dependeram exclusivamente de suas capacidades f\u00edsicas e intelectuais para sobreviver. A partir da\u00ed come\u00e7aram a ser apoiados por uma rede de pessoas, dinheiro e equipamentos que os mantiveram protegidos. A rede de apoio foi organizada e mantida funcionando pela c\u00fapula do CV. A pol\u00edcia prendeu pelo menos 10 pessoas dessa rede. Aqui cabe uma reflex\u00e3o. Acompanho essa organiza\u00e7\u00e3o criminosa desde a d\u00e9cada 90, quando o seu l\u00edder maior, Lu\u00eds Fernando da Costa, 57 anos, o Fernandinho Beira-Mar, estava foragido na cidade paraguaia de Capit\u00e1n Bado, separada por uma avenida do munic\u00edpio de Coronel Sapucaia, no oeste do Mato Grosso do Sul. Ele \u00e9 um dos presos da Penitenci\u00e1ria de Mossor\u00f3. \u00c9 de se perguntar. A rede que o CV usou para proteger os dois foragidos vai ser simplesmente desmontada? J\u00e1 que, al\u00e9m de Beira-Mar, h\u00e1 outros l\u00edderes da organiza\u00e7\u00e3o presos em Mossor\u00f3. Muito embora essa fuga n\u00e3o tenha sido planejada, como indicam at\u00e9 agora as investiga\u00e7\u00f5es, mostra que \u00e9 poss\u00edvel escapar das cadeias federais. Lembro que h\u00e1 um bom tempo temos publicado nos jornais a descoberta de planos de fuga das cinco penitenci\u00e1rias federais envolvendo l\u00edderes do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC), de S\u00e3o Paulo. Nos dias atuais, as penitenci\u00e1rias federais s\u00e3o uma grande solu\u00e7\u00e3o que os governos dos estados t\u00eam para retirar dos seus superlotados sistemas penitenci\u00e1rios os chef\u00f5es do CV, do PCC e das organiza\u00e7\u00f5es criminosas locais. Se n\u00e3o fosse essa solu\u00e7\u00e3o, a taxa de criminalidade nos estados do sul do Brasil explodiria.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, se por um lado as penitenci\u00e1rias federais s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o para os governos dos estados, elas s\u00e3o um problema para as organiza\u00e7\u00f5es criminosas, que est\u00e3o expandindo o seu poder diariamente. Por exemplo, a capilaridade do CV e do PCC em todo o territ\u00f3rio nacional e nas fronteiras com os pa\u00edses vizinhos tem sido garantida pela associa\u00e7\u00e3o com os grupos locais de foras da lei. A imprensa n\u00e3o pode perder uma oportunidade de qualificar as informa\u00e7\u00f5es que divulga sobre o confronto entre o governo federal e as organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Vejo uma oportunidade em adquirir esse conhecimento fazendo uma autopsia dos fatos que aconteceram durante os 50 dias em que os dois fugitivos de Mossor\u00f3 conseguiram escapar de uma for\u00e7a-tarefa policial equipada com tecnologia de ponta e fartos recursos econ\u00f4micos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 o tamanho do poder de fogo e das articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das grandes organiza\u00e7\u00f5es criminosas no Brasil? Essas perguntas come\u00e7aram a ser respondidas com a pris\u00e3o, na \u00faltima quinta-feira (4\/4), dos dois fugitivos da Penitenci\u00e1ria de Seguran\u00e7a M\u00e1xima de Mossor\u00f3 (RN). 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