A imprensa, a queda da Canarinho e uma antiga lei do futebol: quem não faz, leva

Brasil terá uma nova chance do hexacampeonato em 2030 Fotos: EBC

Na partida entre as seleções do Brasil e da Noruega, no final da tarde de domingo (5), cumpriu-se a velha lei do futebol: quem não faz gol, leva. No início da partida, aos 13 minutos, aconteceu um pênalti a favor do Brasil. O meio-campista Bruno Guimarães bateu e o goleiro Orjan Nyland, 35 anos, defendeu. A partir do lance do pênalti, o técnico norueguês, Stale Solbakken, 58 anos, consolidou a sua estratégia de jogo: bola de pé em pé, evitando correr riscos, sem pressa para chegar ao gol do Brasil. Ficou um jogo chato, parecia aquelas brincadeiras que os atletas chamam de “bobinho”. Aos 34 minutos do segundo tempo, o atacante da Noruega Erling Haaland, 25 anos, fez o primeiro gol da partida. E, aos 44 minutos, marcou o segundo. Neymar Jr., 34 anos, que entrou no segundo tempo, descontou nos acréscimos na cobrança de um segundo pênalti assinalado a favor do Brasil. Antes de bater o pênalti, conforme relataram os narradores da partida, Neymar teria perguntando ao goleiro norueguês em que canto ele queria que chutasse a bola. Fez gol de honra do Brasil. Não havia mais tempo para reagir. Resultado final: Noruega 2 a 1. Os noruegueses continuam na Copa e os brasileiros voltam para casa.

Acabou a caminhada do Brasil na Copa da Fifa 2026 e o sonho da torcida com o Hexa. Teremos uma nova chance em 2030. Não vou cansar a paciência dos leitores batendo nos culpados de sempre pelas derrotas da Seleção. Vamos conversar sobre o que restou de positivo do atual torneio. Mas antes faço questão de lembrar que sou um velho repórter estradeiro, 75 anos de idade, trabalhei 40 e poucos anos em redação de jornal e atualmente ando pelas estradas em busca de histórias para contar. Sou especializado em conflitos agrários, migrações e crime organizado na fronteira. Não entendo patavinas de futebol. Mas entendo de jornalismo e de estratégia. Lembrando isso, vamos conversar. Considero acertada a contratação, e a renovação do contrato até a Copa de 2030, do técnico italiano Carlo Ancelotti. 67 anos, para treinar a Seleção. Como disse, não tenho conhecimentos suficientes sobre futebol para comparar a competência de Ancelotti com a dos seus colegas treinadores brasileiros e de outras nacionalidades. Mas afirmo que ele é o cara certo para reestruturar a Seleção e vou dizer as minhas razões. Em primeiro lugar, Ancelotti é respeitado pela direção de todos os grandes times de futebol do mundo, especialmente na Europa, onde atua a maioria dos principais jogadores brasileiros. Ou seja, os atletas estão lidando com um técnico de reconhecida capacidade profissional e que é ouvido pelos principais executivos dos grandes times de futebol mundial. Não é pouca coisa, como dizem os repórteres nas mesas dos botecos.

Aproveitando o gancho, que no linguajar das redações quer dizer oportunidade. Há uma gritaria entre os comentaristas e os estudiosos do futebol sobre o fato de que os melhores jogadores brasileiros estão indo cada vez mais cedo para times estrangeiros, especialmente na Europa. Há muitos casos de atletas que sequer jogaram uma partida por times brasileiros. Foram direto para outros cantos do mundo. Claro que tal prática, a médio prazo, vai baixar a já preocupante qualidade do futebol nacional. Mas o que fazer? Uma lei proibindo a ida deles para o exterior? Não funcionaria. Fiz uma pequena pesquisa usando inteligência artificial sobre a história da venda de jovens talentos para o exterior e descobri que, na década de 60, o então presidente da República Jânio Quadros (1917 – 1992) fez um bilhete oficial declarando Edson Arantes do Nascimento (1940 – 2022), o Pelé, um dos mais famosos jogadores da história, “tesouro nacional”, o que na época impediu a negociação do craque para o estrangeiro e causou enormes prejuízos a sua carreira. A história toda é contada na internet. Consultei os entendidos sobre o assunto para saber como reverter a atual situação da saída do país de jovens jogadores. Ouvi deles que a solução é tornar os times brasileiros economicamente fortes para que possam competir no mercado de jogadores com os estrangeiros.

Para arrematar a nossa conversa. A derrota do Brasil para a Noruega deve reduzir o interesse dos brasileiros pelo torneio da Fifa e, por consequência, a audiência nos meios de comunicação. Isso significa que jornais, rádios, redes de TV e demais plataformas de comunicação começarão a diminuir os espaços e as equipes envolvidas na cobertura da Copa. Até o jogo do último domingo, a Seleção ocupou as manchetes dos jornais e empurrou para o pé da página a campanha eleitoral, inclusive a disputa pela Presidência da República, que está polarizada entre o senador Flávio Bolsonaro, 45 anos, (PL-RJ), e o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato â reeleição. A Seleção congelou também outros temas importantes que vinham merecendo a atenção da mídia, como o escândalo do Banco Master, cuja gestão fraudulenta conduzida pelo ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, 42 anos, resultou em um prejuízo de R$ 50 bilhões aos clientes e ao sistema bancário nacional. Vorcaro cumpre prisão preventiva. Tal é o tamanho e o vigor do escândalo do Master que ele não saiu do radar da imprensa nem mesmo durante a Copa. Agora deverá voltar às manchetes porque todas as semanas a Polícia Federal (PF) descobre uma novidade no caso.

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