Qual será o “detalhe” que elegerá o próximo presidente do Brasil?

Segue a disputa entre os ministros do STF Foto: EBC

A acirrada disputa eleitoral entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45 anos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, perdeu espaço nas manchetes para as desavenças entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em particular, entre os ministros Alexandre de Moraes, 57 anos, e André Mendonça, 53 anos, no “Caso Vorcaro, do Banco Master”. O conflito no STF acabou respingando no diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, 55 anos, e no diretor de inteligência da instituição, Leandro Almada da Costa, 55 anos. Também arrastou outros dois ministros, Flávio Dino, 58 anos, e o presidente do STF, Edson Fachin, 68 anos. Essa história está sendo acompanhada online pela imprensa e deverá monopolizar o noticiário durante a semana. Tratei desse assunto no post publicado na sexta-feira (11) Cafés gaúchos: o papo é o “duelo dos ministros” e a queda da dupla Grenal. No texto, assim resumi o “Caso Vorcaro, do Banco Master”: em novembro do ano passado, o dono do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, 42 anos, foi preso por fraudes financeiras que causaram um prejuízo de R$ 52 bilhões aos clientes do banco e ao sistema bancário nacional.

Mendonça é o relator do “Caso Vorcaro, do Banco Master”, e a ligação dessa história com a disputa eleitoral deve-se ao envolvimento do senador Flávio Bolsonaro – matérias na internet. Pesquisas publicadas no fim de semana informaram que o noticiário envolvendo o STF não deverá afetar as eleições – matérias nos jornais. Tenho defendido que os desentendimentos entre os ministros fazem parte do processo de aperfeiçoamento da Justiça do Brasil. Portanto, fortalece a democracia. Lembro que, ao contrário da maioria das supremas cortes ao redor do mundo, a brasileira tem um canal de televisão, a TV Justiça, que transmite ao vivo as sessões do plenário e das turmas (colegiados). Dito isso, vamos falar sobre a disputa para presidente da República. As últimas pesquisas deram empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno. E mostraram que a diferença na intenção de votos dos dois para o terceiro colocado, Augusto Cury (Avante), 67 anos, é muito grande, mais de 25%. A possibilidade do crescimento de um terceiro candidato na reta final da campanha é cada vez mais remota. Ou seja: se nada de extraordinário acontecer, o próximo presidente será Lula ou Flávio. E só saberemos, com certeza, o nome do vencedor quando a última urna for apurada. Estive conversando com um colega repórter sobre essa disputa e fui lembrado do episódio que envolveu a então deputada Carla Zambelli (PL-SP), 46 anos, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. O então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador Flávio, concorria à reeleição contra Lula. Os dois estavam praticamente empatados nas pesquisas. Em 29 de outubro, um dia antes da votação, Zambelli saía de um restaurante em São Paulo quando cruzou com um militante do PT, o jornalista Luan Araújo. Os dois trocaram desaforos e na discussão a deputada tropeçou e caiu. Quando se levantou, sacou uma arma e junto com seus seguranças passou a perseguir Araújo pelas ruas. Um dos seguranças chegou a disparar sua arma. Araújo se refugiou em um bar. Zambelli entrou no estabelecimento de arma em punho e, apontando-a para o jornalista, exigiu que ele se deitasse no chão. A situação só foi contornada com a intervenção da polícia. Bolsonaro atribuiu a esse episódio a derrota nas eleições. A diferença para Lula foi de pouco mais de 2 milhões de votos.

Tenho dito que a eleição será ganha ou perdida por um detalhe. Não é por outro motivo que os cabos eleitorais e militantes dos partidos estão nas ruas em busca de votos. Falei com um deles que mora no interior do Rio Grande do Sul. Disse-me que o trabalho dele continua sendo “bater de porta em porta” para conversar com os moradores e pedir votos. Lembro que, mesmo com as atuais tecnologias de comunicação ao seu dispor, os agricultores gostam de receber visitas e conversar pessoalmente com os candidatos. “Eles se sentem prestigiados”, acrescentou o cabo eleitoral. Por ter percorrido os sertões do Brasil escrevendo reportagens sei muito bem como as coisas acontecem por lá. Embora, nos últimos 40 anos, as coisas tenham mudado muito, parte por conta da consolidação do agronegócio, parte pelo comportamento da população, algo mudou pouco. A fidelidade partidária ainda existe nas pequenas comunidades do interior, principalmente nos estados do Sul do Brasil. Claro, a maioria dos 158 milhões de brasileiros aptos a votar vive nas grandes regiões metropolitanas do país. Mas isso não significa que o voto que vai eleger o próximo presidente não possa vir do campo. Foi o que ouvi de um amigo professor universitário. Vou citar um fato. Nos programas políticos muito se tem falado sobre violência. Pode ter me escapado. Mas não me lembro de ter visto um candidato falando sobre o problema de segurança nas propriedades rurais. E são muitos: furto e roubo de maquinários e insumos das lavouras, muito abigeato, o furto de animais. A qualidade das estradas rurais é um drama à parte, principalmente nas regiões mais remotas dos estados do Centro-Oeste, que ficam praticamente isoladas quando chove. A maioria dos produtores tem frota própria de caminhões porque transportar a produção não é tarefa fácil. Os caminhoneiros só aceitam o frete quando não têm outro serviço. Já fiz várias matérias sobre o assunto. Lembro-me de ter ouvido de um grande produtor de soja do interior do Mato Grosso o seguinte: “Aqui as coisas são assim, da porteira para dentro temos tudo organizado e funcionando. Da porteira para fora é uma baita confusão, principalmente quando chove”.

Para arrematar a nossa conversa. De que canto sairão os votos que vão eleger o próximo presidente do Brasil? É uma boa pergunta. Que será respondida na noite de domingo, 25 de outubro, o dia do segundo turno das eleições.

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