É hora da imprensa cobrar dos candidatos as soluções dos problemas nacionais

Caiado e Zema esperam um milagre para sair do atoleiro Foto: Reprodução

Por conta do crescimento nas pesquisas eleitorais para presidente da República de Renan Santos (Missões), 42 anos, ouvi na TV e nas redes sociais o seu discurso de lançamento da sua candidatura, no sábado (1°), em São Paulo. Segundo levantamento da AtlasIntel, Santos se isolou no terceiro lugar, com 7,8% das intenções de votos, ficando à frente de dois ex-governadores: de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), 76 anos, com 3,1%, e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), 61 anos, com 2,8%. Na pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, que concorre à reeleição, está com 44,9% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45 anos, com 35,8%. A disputa segue polarizada entre Lula e Flávio. O prazo para a realização das convenções nacionais dos partidos termina nesta quarta-feira (5) e eles terão até o dia 15 para registrar seus candidatos. Estamos entrando na reta final da campanha para as eleições de 2026, quando serão eleitos presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. O primeiro turno será no dia 4 de outubro e o segundo, dia 25. Daqui até a votação muitas coisas poderão acontecer para os 13 candidatos à Presidência da República. Vamos falar sobre detalhes que considero importante chamar a atenção dos eleitores sobre os cinco nomes que citei.

Iniciamos a nossa conversa por Santos. Como disse, ouvi o seu discurso e confesso que esperava mais. O conteúdo não trouxe novidades. Bateu muito em duas teclas: a primeira, exigiu que seus apoiadores tenham mais contundência nas suas manifestações. O que meu surpreendeu no seu discurso foi ter imitando alguns gestos do presidente da Argentina, Javier Milei, 55 anos. Foi um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou visibilidade em 2016 fazendo campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT -MG), 78 anos. Falei sobre o MBL apenas o necessário para a nossa conversa, há farto material sobre o grupo na internet. Santos é experiente na disputa política. Sabe, portanto, que é básico para quem quer ser notado ter uma novidade na mão. Ainda mais nos dias atuais, com o avanço das tecnologias de comunicação. O fato de ter ultrapassado Caiado e Zema nas pesquisas significa que está em ascensão? Ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa. Até porque a distância entre ele e Flávio e Lula é enorme. O motivo que o fez ultrapassar os dois ex-governadores é uma outra história, que contei no post Por que as candidaturas de Zema e Caiado não decolaram nas pesquisas? São vários motivos. Um deles, que considero o mais importante, é que os dois faziam parte de um grupo, no qual se incluía também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 51 anos, que competiu pela indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71 anos, para concorrer a presidente. Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de estado e cumpre uma pena de 27 anos de prisão. Impedido de concorrer e pressionado pela família, no final do ano passado ele indicou o filho mais velho, Flávio, como seu substituto. Tarcísio optou por concorrer à reeleição ao governo paulista enquanto Caiado e Zema se lançaram candidatos a presidente. Fizeram uma espécie de “puxadinho” da candidatura de Flávio, na esperança de que, caso a campanha do senador fracassasse, os eleitores escolheriam um dos dois para derrotar Lula.

Não foi o que aconteceu. Até abril, Flávio estava empatado com Lula nas pesquisas de intenção de voto. Em maio, seu nome foi envolvido com Daniel Vorcaro, 42 anos, dono do Banco Master, Vorcaro foi preso preventivamente e o Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central depois que a Polícia Federal descobriu que o banqueiro realizou operações fraudulentas que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões aos clientes do banco e ao sistema financeiro nacional, além de patrocinar eventos de luxo, viagens internacionais e festas exclusivas para autoridades com o objetivo de obter influência política e proteção institucional – matérias na internet. Flávio também se viu envolvido em um bate-boca com a sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, 44 anos. Caiado e Zema criticaram Flávio no caso Master e o senador chegou a perder 10% das intenções de votos. Mas não foi suficiente para implodir a sua candidatura. Ele se mantém viável graças aos votos dos “bolsonaristas raiz”, como são chamados pela imprensa os eleitores mais fiéis às ideias políticas do ex-presidente. Lembro que a candidatura de Flávio foi lançada com o objetivo de manter com a família o legado político do pai. Se for eleito, melhor. Enquanto isso, Caiado e Zema esperam um milagre para sair do atoleiro. No domingo, Lula fez um longo e recheado discurso no lançamento da sua candidatura à reeleição. Acompanhei o discurso e vou citar uma das suas falas que considerei merecedora da atenção dos colegas jornalistas. Refere-se à necessidade de investir na indústria de defesa para modernizar as Forças Armadas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), 80 anos, tem sido muito claro e transparente ao afirmar que cada país é responsável pela sua segurança. A proposta de Lula é investir na modernização do Exército, da Marinha e da Força Aérea, que são fundamentais para a proteção dos limites territoriais brasileiros. Onde os inimigos não são os países vizinhos. Mas as organizações criminosas que se alojaram nas áreas de fronteira, de onde controlam a entrada e a saída do país de drogas, armas, ouro, madeira. São grupos fortemente armados, treinados e muito bem equipados.

Para finalizar a nossa conversa. Até agora a imprensa tem centrado a sua cobertura nas declarações dos candidatos. Daqui para frente é a hora de “virar o disco”. É chegada a hora de começar a cobrar soluções para os grandes problemas nacionais, como violência, saúde, educação, emprego e segurança alimentar.

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